Coloquio adiamento

COMUNICADO

Em virtude da situação excecional que se vive em Portugal e no mundo, de modo a evitar a proliferação de casos registados de contágio de COVID -19 e um retrocesso na contenção da transmissão do vírus e da expansão da doença COVID -19 que as medidas adotadas permitiram, importa considerar, no âmbito da situação de calamidade, a limitação das deslocações de pessoas a partir das 00:00h de 16 de novembro de 2020, emanada da Resolução do Conselho de Ministros n.º 96-B/2020, de 12 de novembro. Esta resolução prorroga a declaração da situação de calamidade, no âmbito da pandemia da doença COVID-19 e altera o elenco de concelhos que constam do anexo à Resolução do Conselho de Ministros n.º 92 -A/2020, de 2 de novembro, aos quais são aplicáveis regras especiais.

Ainda que o concelho de Lagoa (Algarve) não seja diretamente visado pelo novo quadro de restrições sanitárias, a proximidade a concelhos que passam a ter atividades suspensas e períodos de recolher obrigatório, implica a adoção de medidas preventivas e condizentes com aquelas que passam a estar em vigor naqueles territórios face ao aumento de casos de uma forma generalizada no país e no concelho.

Na sequência desta limitação, a Câmara Municipal de Lagoa e a Junta de Freguesia de Ferragudo tomam a decisão de adiar o Colóquio comemorativo do 5º Centenário de criação da povoação de Ferragudo – Ferragudo 1520-2020: 500 anos a Viver o Mar para o próximo ano de 2021. Mais se informa que a nova data será comunicada assim que a situação epidemiológica seja mais favorável.


O ano de 2020 é marcado pelo quingentésimo aniversário da fundação da povoação de Ferragudo, instituída pela carta de privilégios da Rainha D. Leonor, de 21 de agosto. Uma longevidade assinalável, digna de ser comemorada com a pompa e circunstância inerentes à memória centenária do lugar.

Sob a égide do 500º aniversário, a Câmara Municipal de Lagoa e a Junta de Freguesia de Ferragudo juntaram esforços e prepararam um conjunto de iniciativas que, ao longo do ano, irão ter lugar sob o mote Ferragudo: 500 anos a Viver o Mar. Neste vasto e rico programa comemorativo pretende-se envolver ativamente o povo de Ferragudo, como comunidade visada que é, mas também a participação de todos os lagoenses. Um programa que, ao pôr em destaque a vila e sede de freguesia e o seu espaço territorial, mais que assinalar o acontecimento dos 500 anos per si, presta-se a deixar uma marca indelével sobre a passagem desta histórica e irrepetível ocasião.

A programação foi trabalhada no sentido de abranger as mais diversas áreas, das artes ao exercício físico, da historiografia à gastronomia, do artesanato às festividades populares. Neste âmbito, irá ter lugar um colóquio que discutirá o passado e o futuro da localidade, composto por um conjunto de palestras a cargo de investigadores que têm trabalho sobre a história e o património locais, distribuídas ao longo do dia 31 de outubro (sábado). No mesmo dia, e no contexto do colóquio, que decorrerá no Centro Pastoral e Social da Diocese do Algarve, será lançado um trabalho de investigação histórica, da autoria de David Roque, intitulado: Ferragudo: uma economia local no Algarve setecentista. O programa do colóquio apresenta as palestras distribuídas ao longo do primeiro dia, organizadas em painéis temáticos. No dia seguinte, para o encerramento do colóquio terão lugar visitas guiadas ao património de Ferragudo. 


Cartaz

 Coloquio adiamento

Programa 21 NOVEMBRO

cartaz programa 20201031 COLOQUIO500 A4 min

Programa 22 NOVEMBRO

 cartaz programa 20201101 COLOQUIO500 A4

Palestras

A arqueologia subaquática do estuário do Arade

Dr. Cristóvão Fonseca

(CHAM Centro de Humanidades, Universidade Nova de Lisboa)

Nota biográfica: Arqueólogo. Investigador do CHAM, FCSH-NOVA/UAç (desde 2008).

Doutorando em História, especialidade em Arqueologia com o tema "Um complexo portuário milenar no Barlavento Algarvio: a arqueologia do estuário do rio Arade". Mestre em Arqueologia (2015). Licenciado em História, variante Arqueologia (2002).

Desde 1996 que participa em trabalhos arqueológicos e, de forma profissional, desde 2002, em contexto de investigação científica, arqueologia preventiva e de salvamento, museologia e património. Experiência de direção e como membro de equipa em intervenções arqueológicas (escavação, prospeção e acompanhamento de obra), bem como de trabalhos de laboratório (inventário, registo e estudo de espólio arqueológico), museologia e serviço educativo. Coordenação e participação na componente patrimonial de diversos processos de avaliação de impacte ambiental e no âmbito da gestão e ordenamento do território, assim como de projetos de arqueologia náutica, subaquática e portuária. Formação e experiência em sistemas de informação geográfica e arqueografia.

Várias publicações e participação em atividades de divulgação na área, como por exemplo, comunicações e a apresentação de posters em território nacional e internacional.

Atualmente desempenha funções como arqueólogo e técnico superior de museologia e património no Museu de Lisboa – Teatro Romano.

Resumo: O ano em que se celebram os 500 anos da fundação da povoação de Ferragudo é também marcado pela afirmação de um projeto de dragagens de grande magnitude. Este projeto irá afetar de forma irreversível o estuário do rio Arade, indissociável da identidade marítima desta localidade.

Durante mais de dois milénios o Arade foi palco de uma dinâmica portuária intensa e contínua. Trata-se de uma realidade testemunhada pelos vestígios arqueológicos que sobreviveram até à atualidade, uns já recuperados e outros que ainda jazem no seu leito. Comprovam a importância histórica que este espaço teve para a navegação, comércio, génese e desenvolvimento do povoamento regional, nomeadamente a fundação e o crescimento de Ferragudo. Por isso, o estuário do rio Arade é ainda hoje um dos principais portos do território português, beneficiando de uma localização privilegiada entre o Mediterrâneo e o Atlântico.

A investigação do CHAM (FCSH/NOVA|UAc), em parceria com o Museu de Portimão e respetiva autarquia iniciou-se em 2012, é atualmente desenvolvida no âmbito do projeto "Um complexo portuário milenar no Barlavento Algarvio: a arqueologia do estuário do rio Arade". Centra-se no estudo dos vestígios materiais deste espaço portuário, nomeadamente contextos de naufrágio e de fundeadouro, numa abordagem diacrónica.

A compilação e estudo dos dados de anteriores trabalhos realizados, assim como os resultados da investigação que temos vindo a desenvolver contribuem significativamente para consolidar a importância histórica do rio Arade.

Este conhecimento é particularmente relevante considerando a iminência dos trabalhos de dragagem que irão decorrer no porto de Portimão afectando diretamente estes sítios arqueológicos.

Esta apresentação pretende fazer um ponto de situação desta do trabalho desenvolvido que assenta em três principais vetores: investigação científica sobre a arqueologia marítima; divulgação e sensibilização da sociedade para o património cultural subaquático; salvaguarda do património arqueológico no âmbito de projectos portuários.

Palavras-chave: porto, fundeadouro, naufrágio, diacronia, dragagem.

Bibliografia de referência

ALVES, F. (1997) – “Ponta do Altar B – Arqueologia de um naufrágio no Algarve nos alvores do século XVII” in O Arqueólogo Português, Lisboa, Série IV, 8/10, pp. 357-424.

BETTENCOURT, J.; CALEJA, P. e CARVALHO P. (2007) – “Novos dados sobre o sítio Ponta do Altar B (Lagoa): um naufrágio da primeira metade do século XVII na embocadura do Rio Arade” in XELB 8. Actas do 5º Encontro de Arqueologia do Algarve, Silves: Câmara Municipal de Silves, pp. 333-350.

CASTRO, F. (2005) – “Arade River Archaeological Complex: Dredges and Archaeology” in The International Journal of Nautical Archaeology, 34.1, pp. 51-61.

DIOGO, A.; CARDOSO, J. e REINER, F. (2000) – “Um conjunto de ânforas nos dragados da foz do rio Arade, Algarve” in Revista Portuguesa de Arqueologia, Lisboa: Instituto Português de Arqueologia, 3.2, pp. 81-116.

DOMÍNGUEZ-DELMÁS, M.; NAYLING, N.; LOUREIRO, V. e LAVIER, C. (2012) – “Dendrochronological Dating and Provenancing of Timbers from the Arade 1 Shipwreck, Portugal” in The International Journal of Nautical Archaeology, 42.1, pp. 118-136.

FONSECA, C. (2015) – Fundear e naufragar entre o Mediterrâneo e o Atlântico: o caso do arqueossítio Arade B, Tese de Mestrado apresentada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, policopiado.

GOMES, M.; CARDOSO, J. e ALVES, F. (1995) – Levantamento arqueológico do Algarve: concelho de Lagoa, Lagoa: Câmara Municipal de Lagoa.

LOUREIRO, V. e ALVES, J. (2008) – “The Arade 1 Shipwreck: Preliminary Results of the 2004 and 2005 Field Seasons” in The International Journal of Nautical Archaeology, 37.2, pp. 273-282.

MACHADO, C. e SOUSA, J. (2005) – “«Projecto IPSIIS» - Prospecção com detectores de metais” in XELB 5. Actas do 2º Encontro de Arqueologia do Algarve, Silves: Câmara Municipal de Silves, pp. 233-244.

SILVA, C.; COELHO-SOARES, A. e SOARES, J. (1987) – “Nota sobre material anfórico da foz do Arade (Portimão)” in Setúbal Arqueológica, 3, pp. 203-219.

Levantamento Arqueológico do Algarve. Concelho de Lagoa: 25 anos depois

Professor Arquiteto Mário Varela Gomes

(Instituto de Arqueologia e Paleociências da Universidade Nova de Lisboa)

Nota biográfica: Mário Varela Gomes nasceu em Lisboa em 1949. Licenciou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo estudado História e Arqueologia na Faculdade de Letras de Lisboa, mas também em Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e Suécia. Doutorou-se em História e Arqueologia na UNL, onde leccionou Pré-História e Arqueologia Cognitiva e é vice-presidente do Instituto de Arqueologia e Paleociências.

Dirigiu dezenas de trabalhos arqueológicos em sítios de todos os períodos pré-históricos e históricos, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em Stonehenge (Inglaterra), Züschen (Alemanha), Kalleby Hagarna e Varlös (Suécia), Khor Kalba (E.U.A.), no Vale do Tejo, Gruta do Escoural, Foz Côa, Cromeleques dos Almendres, Xarez, Portela de Mogos, Cuncos, Perdigões e Monte Novo, assim como em Faro, Silves, Vila do Bispo, Albufeira, Loulé e Aljezur.

Publicou mais de trezentos artigos e uma dezena de livros, dedicados à Arqueologia, História, História da Arte, Etnologia e Arquitectura, em Portugal e no estrangeiro. Fundou e dirigiu a revista Xelb.

Foi director do Museu Municipal de Arqueologia de Silves e do Museu de Arqueologia de Montemor-o-Novo, um dos responsáveis pelos estudos de Foz Côa conducentes à sua classificação como Património Mundial, assessor científico para a Gruta Chauvet (França) e especialista da Comissão Europeia para o Programa Cultural de 2000. Foi curador e arquitecto de dezenas de exposições, nomeadamente quatro no Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa), a última das quais, Identidade e Cultura. Património Arqueológico de Sharjah (Emirados Árabes Unidos), ainda aberta ao público. É autor dos Museus Arqueológicos de Silves (Prémio Nacional de Defesa do Património), Loulé, Salir e Albufeira, da musealização do Castelo de Silves, da Casa Museu João de Deus, entre outras obras ligadas ao património, tendo sido professor convidado na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, nas áreas da Reabilitação e Musealização.

É membro da Associação dos Arqueólogos Portugueses, onde foi vice-presidente da sua direcção e agraciado com a medalha de prata, membro da Academia Portuguesa da História, onde recebeu prémio referente à Arqueologia, da Academia Nacional de Belas Artes e da Ordem dos Arquitectos.

Resumo: Em 1975 dirigi-me, com o malogrado colega arqueólogo J. Pinho Monteiro a Lagoa, mais precisamente à Caramujeira, a pedido da Associação dos Arqueólogos Portugueses, dada a solicitação que lhe fora feita pela Câmara Municipal de Lagoa, tendo em vista avaliar a importância de um menir então recentemente descoberto.

Não foi difícil reconhecer o valor histórico e patrimonial do monumento mencionado, com a sua forma fálica, possuindo decorações em relevo, construído em dois blocos de calcário branco, o que o tornava espécimen raro. Desde o século XIX, se excluirmos o pequeno menir do Vale da Lama (Silves), que não se identificavam outros menires no Algarve.

Todavia, a Caramujeira logo nos haveria de revelar outras surpresas, pois a extracção de saibro a que ali se procedia conduziu ao achamento de duas dezenas de menires, com morfologia variada, muitos deles também decorados, assim como recolhermos artefactos de ocupações humanas, algumas das quais responsáveis pela realização dos menires. Estes puderam ser classificados como neolíticos e, portanto, constituírem as esculturas monumentais mais antigas da Europa, tendo-se acautelado o seu armazenamento em instalações camarárias, não sem difícil conversação com o proprietário dos terrenos onde aqueles surgiram, pois destinavam-se a produzirem farta fornada de cal.

Logo surgiram outros arqueossítios neolíticos com menires (Areias das Almas e Alfanzina), tendo-se realizado escavações na Caramujeira, publicado os resultados em revistas da especialidade, nacionais e estrangeiras, e tentado que a Câmara de Lagoa preservasse tão importantes achados em museu, o que apesar dos muitos esforços efectuados não viria a acontecer.

Mais tarde, a convite da Doutora Isilda P. Martins, delegada no Algarve da Secretaria do Estado da Cultura, elaborámos o Levantamento Arqueológico-Bibliográfico do Algarve (1988) e iniciámos o projecto ‘Inventário Arqueológico do Algarve’, por concelhos, de que saíram três volumes, um deles o de Lagoa, graças ao apoio do Município, através do então seu Presidente, Dr. José Inácio M. Eduardo.

Ali constam 184 arqueossítios, desde jazidas correspondentes aos primeiros homens que habitaram o que é hoje o território do Concelho de Lagoa, até monumentos e edifícios, com interesse histórico-arqueológico, do século XVIII. Este trabalho tem sido útil não só a arqueólogos, historiadores, historiadores de arte, àqueles que tratam do planeamento rural e urbanístico, como a quantos se interessam pelas questões patrimoniais em geral.

Mas, o que há de novo na Arqueologia de Lagoa passados 25 anos, sobre aquela publicação, em tempos em que o entendimento do que é o património natural e cultural é felizmente outro?

A nossa actividade arqueológica, intercalou-se sempre com a docência, mas o Barlavento Algarvio não deixou de nos atrair, daí termos realizado prolongadas campanhas de escavações em muitos dos seus concelhos. No de Lagoa salvámos a importante deposição de cerâmicas da Idade do Bronze, junto de sepultura, em Bemparece, escavámos duas sepulturas meio destruídas, no Sobreiro (Mato Serrão), tendo-se continuado a estudar os espólios recolhidos, como o magnífico vaso do Mato Serrão, em boa-hora salvo pelo João Ramos.

Ismael Medeiros identificou novos menires que adensam a distribuição de tais monumentos e membros da Univ. do Algarve estudaram jazidas paleolíticas, anteriormente identificadas.

A riqueza em património subaquático da costa do Concelho de Lagoa tem-se também vindo a melhor revelar, não só através dos materiais dragados no rio Arade, como nos achados de cerâmicas e de outro espólio, designadamente cepo de âncora romano, frente à Praia dos Caneiros (Ferragudo), sugerindo a presença de um ou mais naufrágios. Outra zona promissora, onde se conhecem ocorrências arqueológicas é a situada frente à Senhora da Rocha.

Podemos concluir afirmando que a riqueza arqueológica e patrimonial do Concelho de Lagoa é enorme, dado o seu potencial para o desenvolvimento social e económico, cabendo a criação de condições para sua preservação, estudo e divulgação, às instituições locais e não a particulares ou aos museus de Portimão, Silves, Faro ou Lisboa, por onde o espólio arqueológico de Lagoa se tem dispersado.

Palavras-chave: Arqueologia, Algarve, Lagoa, Menir, Pré-História.

Bibliografia de referência

GOMES, Mário Varela (2007) – Nés à l’Extrême Sud-Ouest de l’Europe: Les menhirs de l’Algarve et l’avènement de l’idéologie mégalithique, Les Expressions Intellectuelles et Spirituelles des Peuples sans Ecriture, pp. 147-157, UISPP/CISENP, Paris.

GOMES, Mário Varela; Paulo, Luís Campos; Ferreira, Sónia; Ramos, João (2002) – Sepultura da Idade do Bronze do Sobreiro (Mato Serrão, Lagoa), Revista Portuguesa de Arqueologia, vol. 5(2), pp. 191-218.

GOMES, Mário Varela (1996) – Megalitismo do Barlavento Algarvio - Breve Síntese, Setúbal Arqueológica, vols 11-12, pp. 147-190.

GOMES, Mário Varela; Cardoso, João Luís; Alves, Francisco (1995) – Levantamento Arqueológico do Algarve - Concelho de Lagoa, Câmara Municipal de Lagoa, 108 pp., 70 figs.

GOMES, Mário Varela (1994) – Menires e Cromeleques no Complexo Cultural Megalítico Português - Trabalhos recentes e estado da questão, O Megalitismo no Centro de Portugal, pp. 317-342, V ests, Viseu.

GOMES, Mário Varela; Gomes, Rosa Varela (1988) – Levantamento Arqueológico-Bibliográfico do Algarve, Delegação Regional do Sul da Secretaria de Estado da Cultura, 224 pp., Faro.

GOMES, Mário Varela; Monteiro, Jorge Pinho (1981) – The menhirs of Portugal, Bollettino del Centro Camuno di Studi Preistorici, vol. 18, pp. 75-88.

GOMES, Mário Varela; Monteiro, Jorge Pinho; Serrão, Eduardo da Cunha (1979) – A Estação Pré-Histórica da Caramujeira – Trabalhos de 1975/76, Actas das III Jornadas Arqueológicas da Associação dos Arqueológos Portugueses (1977), vol. I, pp. 33-72.

MONTEIRO, Jorge Pinho; Gomes, Mário Varela (1979) – Menires do Algarve, Actas del XV Congreso Nacional de Arqueologia, Lugo 1979, pp. 355- 374.

GOMES, Mário Varela; Monteiro, Jorge Pinho (1976) – Caramujeira - estação pré-histórica, Gapa 03, pp. 7-24.

O esteiro de Ferragudo

David Roque

(Professor de História)

Nota biográfica: David Eduardo Vicente Roque, nasceu em 1977, na cidade de Portimão, onde morou até aos cinco anos de idade, na atual zona portuária, entre a urbe e a zona turística da Praia da Rocha. Assentou depois em Ferragudo, onde chegou a morar no interior da “Fábrica do Frito Velho”, uma das mais antigas fábricas conserveiras do Algarve e da embocadura do rio Arade. Aí, ter-se-á plantado o seu espírito explorador das coisas antigas. Em 2001 licenciou-se em História pela Universidade de Lisboa, e completou a pós-licenciatura em Ramo de Formação Educacional em História em 2003. Desde então tem lecionado no ensino público em diversas escolas, a que juntou experiências de formador no Instituto Português de Formação e Emprego (IEFP), no Baixo Alentejo. Na sequência da sua pesquisa histórica, lança recentemente a obra Ferragudo – Uma Economia Local no Algarve Setecentista, anteriormente reconhecida com uma menção honrosa no Prémio Nacional de Ensaio Histórico António Rosa Mendes – 2017.

Para além da lecionação, tem ligação ao associativismo local, no domínio da atividade cultural, por exemplo, na edição da extinta revista Her-Akkud ou como membro do AGIR (Associativismo – Grupo Informal de Reflexão). Escreve ocasionalmente para jornais locais e nacionais, numa tentativa de reflexão sobre a sociedade e o mundo. O interesse pela intervenção social estende-se à política e à participação nas estruturas locais e regionais do Bloco de Esquerda.

Tem também interesse pela escrita ficcional e poesia, com dois livros infantis editados, poemas em coletâneas, um conto em obra coletiva e a participação na reedição do livro Barlavento – Histórias do Algarve; além de animar inúmeros cursos de escrita criativa, criar o Clube de Escrita Criativa de Lagoa e conjugar esforços para a conceção do Concurso de Escrita Criativa Poeta António Aleixo, de âmbito nacional e suportado pela fundação louletana homónima do reconhecido trovador algarvio.

Resumo: O Esteiro de Ferragudo tem uma história que se confunde a própria localidade, sendo que a primeira referência escrita encontrada trata-se da sua cedência para exploração, ainda na primeira metade do século XVI. Aí se estabelece um moinho de maré que ainda é assinalado um século depois por Massai, o mesmo engenheiro que assinala dois poços no término a montante, fundamentais para o abastecimento de embarcações que demandavam o estuário ou o exterior da barra. Depois o moinho desaparece, talvez até antes do grande terramoto, e o esteiro, talvez um pouco mais aterrado, passa a ser o guia da expansão urbana operada entre os séculos XVIII e XIX. A partir do século XIX, começa a ter uma vida aproximada a de um terreiro, com a implantação da feira anual a partir de 1838. De 1872 data a sua “Ponte dos Arquinhos”, denominação popular que hoje não é aplicável à estrutura existente, de tão alterada que foi no seu perfil. Esta obra irá fazer a ligação principal entre a aldeia e Portimão e a estrada regional, transformando parcialmente a natureza do esteiro, que mais tarde acabará por ser um amplo aterro para a rodovia do progresso.  Mas enquanto o betão e o alcatrão não avançavam, já na segunda metade do século XX, o espaço cheio/vazio húmido/seco do regato, continua a ser palco das feiras, das brincadeiras das crianças que frequentam as duas escolas que o tangem, a feminina a sul e a masculina a norte, e de grandes “futeboladas” que assinalam o sucesso de um desporto moderno. A função de esteiro estava perdida desde há muito tempo, mas a sua amplitude e abertura urbana continuam a ser um palco para manifestações sociais e apresentação de projetos de ressignificação.

Palavras-chave: Ferragudo, Esteiro, Moinho, Ponte dos Arquinhos, Canal, Regato, Feira, Rio Arade.

Bibliografia de referência

LOPES, João Baptista da Silva, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, Algarve em Foco Editora, 1988 [1841].

MARTINS, Estudo Histórico-monográfico da Freguesia de Ferragudo do Concelho de Lagoa, Algarve em Foco, 1990.

ROQUE, David, Ferragudo – Uma Economia Local no Algarve de Setecentos, On Y Va, 2020;

SANTOS, Rossel M., História do Concelho de Lagoa, Edições Colibri, 2001.

O Castelão do Arade – Joaquim José Coelho de Carvalho, sua vida e obra

Professor Doutor José Carlos Vilhena Mesquita

(Faculdade de Economia da Universidade do Algarve)

Nota Biográfica: Professor universitário e historiador. Nasceu em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, a 01-08-1955. Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde concluiu, em 1980, o curso de História com distinção.

Sob a orientação científica do Prof. Doutor Jorge Borges de Macedo, da Universidade de Lisboa, defendeu, em 1989, as suas Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica, nas quais foi aprovado com Muito Bom. Em 1989 iniciou sob a égide do Prof. Doutor Joaquim Antero Romero Magalhães, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, a sua dissertação de Doutoramento, intitulada O Algarve no processo histórico do liberalismo português (A Economia e a Sociedade, 1820-1842), que defendeu em 1997, tendo sido aprovado com “Distinção e Louvor”.

Desde 1983 que rege as disciplinas de História Económica e Social, História Económica e Empresarial, nos cursos de Economia e de Gestão de Empresas, História Económica e Empresarial, História Contemporânea, e Epistemologia das Ciências Sociais, no curso de Sociologia, na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, onde é Professor Associado.

Em 1993 integrou a equipa que fundou a Universidade do Algarve para a Terceira Idade. Em 1994 foi galardoado com o 2.º Prémio Especial Algarve de Comunicação Social, não tendo sido atribuído mais alta distinção. Em 1995 recebeu o 1.º Prémio Samuel Gacon, no âmbito da Comunicação Social Algarvia, instituído pela RTA. Participou em vários Congressos, Colóquios e Seminários, no país e no estrangeiro. Cooperou com a Universidade de Huelva na realização de mestrados e colóquios, e colaborou com a Universidade Internacional da Andaluzia na elaboração de cursos de verão.

Proferiu dezenas de Conferências, escreveu ensaios e publicou centenas de artigos em diversos órgãos da imprensa diária e regional. Fundou em 30-1-1998 a AJEA – Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve da qual foi Presidente. Foi diretor da revista «Stilus» (1998-2006) e dos mensários «Jornal Escrito» e «Nó Vital», ambos órgãos de cultura, artes e letras. Na sua lista de obras constam cerca de trinta títulos.

Resumo: Tratando-se de uma das figuras mais ilustres da cultura e da política na transição do século XIX para XX, Joaquim José Coelho de Carvalho, nascido em 1855 na cidade de Tavira e falecido em 1934, Ferragudo em 1934, distinguiu-se como advogado, diplomata, professor, latinista, escritor e poeta. O objectivo desta palestra é revelar a vida aventurosa daquele que foi considerado como uma das mais insignes promessas da intelectualidade portuguesa do fim de século. Além de causídico foi um notável diplomata de grande prestígio internacional, construtor do mapa de Angola; como académico chegou a reitor da Universidade de Coimbra e a Presidente da Academia das Ciências de Lisboa; como poeta ombreou ao lado de Cesário Verde, de quem foi fraternal amigo; como tradutor deu a conhecer a obra de Ésquilo, Shakespeare e Moliére; como escritor notabilizou-se pelas suas obras de teatro, de literatura de viagens, sendo de realçar o livro «Casamento de Conveniência», no qual advoga o amor livre e o direito ao divórcio, revelando um espírito e um pensamento muito acima do seu tempo; e como político foi um notável revolucionário da República.

Palavras-chave: Coelho de Carvalho, Algarve, Tavira, Ferragudo, Universidade de Coimbra.

Corpus codicorum do concelho de Lagoa: a documentação patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo – apresentação do projecto

Doutor João Costa

(CHAM, Centro de Humanidades, NOVA FCSH; Centro de Estudos Históricos – NOVA)

Nota Biográfica: Investigador do CHAM/NOVA e do CEH-NOVA. Doutor em História Medieval pela NOVA/FCSH (2016), com a tese Palmela. O espaço e as gentes (séculos XII-XVI). Assistente de investigação em vários projectos internacionais: Açúcar em Águas revoltas: cristãos-novos e judeus. Brasil, Portugal e Holanda e o comércio do açúcar – 1595-1618 (2010-2011), Portugal in the Sea of Oman (2008-2017); e Portugal and UAE. Then and now (2017). Actualmente: responsável pelo projecto A Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, das origens à implantação da República; investigador contratado pelos National Archives de Abu Dhabi em projecto de investigação relativo à história do Golfo Arábico e dos Emirados Árabes Unidos. Publicações (livros): Chancelarias Portuguesas – D. Fernando, Livs. III e IV (2013; transcrição); Os Forais de Setúbal 1249|1514 (2014); A Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo 1571-1910, vol. I (2020, no prelo).

Resumo: A memória histórica de um dado lugar, vila, cidade, concelho ou região é o que nos dá o sentido de pertença comunitária. Somos portugueses porque o devir histórico secular permitiu a formação, precoce face ao contexto europeu da época, de uma unidade territorial e administrativa estável, pese embora algumas dicotomias sociais de nível regional. A nível local, o senso de unidade comunitária advém também de um contexto evolutivo histórico, cujos testemunhos encontramos na documentação remanescente à guarda dos arquivos históricos nacionais. Em boa altura a Câmara Municipal de Lagoa, aproveitando este ciclo comemorativo dos 500 anos da freguesia de Ferragudo, decidiu arrancar com um projecto de inventariação de documentos para a sua história, nomeadamente aqueles à guarda do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. A cronologia assenta no período compreendido entre 1189 e 1910 – para já –, permitindo efectuar uma inventariação completa e exaustiva das fontes documentais respectivas a todo o período de vigência do regime monárquico existentes naquele arquivo. A iniciativa municipal, rara no contexto historiográfico português, colocará ao dispor do investigador, académico e local, um conjunto de ferramentas que possibilitarão o aprofundamento da investigação em torno do concelho de Lagoa, do Algarve e da história geral reinol. O que traremos aqui será, portanto, a apresentação das linhas enquadradoras do projecto, da sua metodologia, estrutura, layout da apresentação final do mesmo, potencialidades, entre outros aspectos relevantes.

Palavras-chave: inventário, concelho de Lagoa, arquivos.

Bibliografia de referência

Corpus codicum latinorum et portugalensium eorum qui in Archivo Municipali Portucalensi aservantur antiquissimorum – Diplomata, Chartae et Inquisitiones, 6 vols., Porto, Câmara Municipal, 1891-ss.

Documentos da Biblioteca Nacional relativos a Lisboa – séculos XIII a XV, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1935.

Documentos para o estudo da cidade de Coimbra na Idade Média, ed. A. G. da Rocha Madahil, separata de Biblos, vols. IX-XI (1933-1935).

FERNANDES, Hirondino, Documentos (textos) publicados: 569-1950, colecção Bibliografia do Distrito de Bragança, Bragança, ISP / CM /BP / AD, 1996.

FERNANDES, Hirondino, Desembargo do Paço: ANTT, colecção Bibliografia do Distrito de Bragança Bragança, IP / CM /AD, 1993.

FERNANDES, Hirondino, Ministério do Reino: ANTT, colecção Bibliografia do Distrito de Bragança, Bragança, IP / CM /AD, 1993.

GOMES, Saúl António, Golpilheira Medieval. Documentos históricos, Batalha, Edição Jornal da Golpilheira / Câmara Municipal, 2009.

GOMES, Saúl António, Porto de Mós. Colectânea histórica e documental. Séculos XII a XIX, Porto de Mós, Câmara Municipal, 2005.

MADAHIL, A. G. da Rocha, Milenário de Aveiro, colectânea de documentos históricos, 2 vols., Aveiro, Câmara Municipal, 1959.

OLIVEIRA, Eduardo Freire de, Elementos para a história do município de Lisboa, 17 vols., Lisboa, 1882-1911.

PÁSCOA, Marta, Fontes para a história de Moura: catálogo de documentos relativos a Moura existentes na Torre do Tombo, Moura, Câmara Municipal, 2005.

PEREIRA, Gabriel, Documentos históricos da cidade de Évora, 1885-1891, Lisboa, INCM, 1998.

Valdevez Medieval – Documentos, 2 vols., Arcos de Valdevez, Câmara Municipal, 2000-2001.

Vimaranis Monumenta Historica a saeculo nono post Christum usque ad vicesimum, partes I e II, Guimarães, 1929-1931.

A memória arquivística da Paróquia de Ferragudo: conhecer para salvaguardar

Dr. Diogo Vivas

(Câmara Municipal de Lagoa/ Arquivo Municipal de Lagoa)

Nota biográfica: é natural de Veiros (concelho de Estremoz), onde nasceu em 1983. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2005); pós-graduado em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2010); mestre em Ciências da Informação e da Documentação (especialização em Arquivística) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2013), com uma dissertação sobre o percurso do bibliotecário e arquivista Mário Alberto Nunes Costa e, doutorando em Ciência da Informação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde prepara a sua tese de doutoramento, intitulada “Arquivos eclesiásticos em Portugal: o caso da Diocese do Algarve”.

Foi Técnico Superior do Município de Estremoz (2006-2010), onde iniciou a sua atividade profissional como estagiário no Arquivo Municipal; Bolseiro de Investigação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no Museu da Presidência da República (2011-2016) no âmbito do projeto “Investigação biográfica António José de Almeida”. Em junho de 2017 ingressou como Técnico Superior do Município de Lagoa (Algarve), coordenando, desde julho de 2018, o serviço de Arquivo Municipal. É investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS-XX) da Universidade de Coimbra.

Resumo: A Igreja Católica, ao longo de sensivelmente dois mil anos, na concretização da sua missão evangelizadora, deu origem a um vasto conjunto de bens culturais de inestimável valor, em particular, um assinalável património documental. Destaca-se não só pela quantidade da documentação produzida – apenas comparável à gerada pelos organismos estatais –, mas sobretudo pela sua representatividade enquanto legado institucional e identitário de um povo.

De entre esse património, o gerado pelas paróquias assume particular relevância dada a posição de inegável valor que a Paróquia ocupa na vida da Igreja, tanto do ponto de vista eclesiológico e pastoral, mas também a nível histórico, sociológico e cultural. Valorizados e conhecidos, quase em exclusivo, pelos livros de registo sacramental (ex.: batismos, casamentos e óbitos), encerram em si outros documentos que neles são/ acabam depositados. Entenda-se, além do conjunto orgânico de documentos provenientes da instituição paroquial, funciona como arquivo de arquivos, isto é, como espaço depósito e conservação de vários outros sistemas de informação de instituições que com ele mantêm uma notória relação sistémica, como são o caso, por exemplo, das confrarias.

A memória arquivística da Paróquia de Ferragudo, criada em 1749, reflete precisamente essa realidade, que importa identificar (sensibilizar para a importância deste património para a história e identidade das comunidades); inventariar (organizar e descrever segundo os princípios arquivísticos, como o respeito pela proveniência e pela ordem original); salvaguardar (efetivar uma política de instalação e preservação dos documentos, assegurando a proteção da documentação existente  e acautelando os que necessitem de restauro) e difundir (aproximar e dar a conhecer o/s arquivo/s, através de estudos, publicações, conferências, exposições, para citar os mais frequentes).

Palavras-chave: Arquivos eclesiásticos; Arquivos paroquias; Paróquia de Ferragudo; Inventariação; Salvaguarda

Bibliografia de referência

COSTA, Avelino Jesus da, Arquivos eclesiásticos portugueses: origem e evolução, (separata do Dicionário de História da Igreja em Portugal, vol. I, pp. 515-554), Lisboa, 1980.

IGREJA CATÓLICA, Código de Direito de Canónico, 4.ª ed. rev., Braga, Editorial Apostolado de Oração, 1983.

LOPES, João Baptista da Silva, Memórias para a história eclesiástica do Bispado do Algarve. Lisboa, Tip. da Academia  Real das Sciencias de Lisboa, 1848.

OLIVEIRA, Francisco Xavier Ataíde, Memórias para a história eclesiástica do Bispado do Algarve (continuação). Lisboa, Tip. Universal/ liv. Figueirinhas, 1908.

RIBEIRO, Fernanda, O acesso à informação nos arquivos, 2 vols., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian/ Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 2003.

ROSA, Maria de Lurdes Rosa; FONTES, Paulo F. O. (Coord.), Arquivos e Arquivística religiosa: contributos para uma reflexão, Lisboa, CEHR, 2000.

ROSA, Maria de Lurdes Rosa; PENTEADO, Pedro, “Arquivos Eclesiásticos”. Dicionário de História Religiosa de Portugal. Direção de Carlos Moreira de Azevedo, vol. I, Lisboa, Círculo de Leitores/ Centro de Estudos de História Religiosa, 2001, pp. 118-133.

Ferragudo, entre o eclesiástico e o civil: a contenda com Estômbar e a definição dos seus limites (séculos XVIII-XIX)

Dr. Diogo Vivas

(Câmara Municipal de Lagoa/ Arquivo Municipal de Lagoa)

Dr. Ismael Estevens Medeiros

(Câmara Municipal de Lagoa)

Nota biográfica | Diogo Vivas: é natural de Veiros (concelho de Estremoz), onde nasceu em 1983. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2005); pós-graduado em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2010); mestre em Ciências da Informação e da Documentação (especialização em Arquivística) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2013), com uma dissertação sobre o percurso do bibliotecário e arquivista Mário Alberto Nunes Costa e, doutorando em Ciência da Informação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde prepara a sua tese de doutoramento, intitulada “Arquivos eclesiásticos em Portugal: o caso da Diocese do Algarve”.

Foi Técnico Superior do Município de Estremoz (2006-2010), onde iniciou a sua atividade profissional como estagiário no Arquivo Municipal; Bolseiro de Investigação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no Museu da Presidência da República (2011-2016) no âmbito do projeto “Investigação biográfica António José de Almeida”. Em junho de 2017 ingressou como Técnico Superior do Município de Lagoa (Algarve), coordenando, desde julho de 2018, o serviço de Arquivo Municipal. É investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS-XX) da Universidade de Coimbra.

Nota biográfica | Ismael Estevens Medeiros: Licenciado em Património Cultural (2009) e Mestre em Arqueologia (2013) pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Desde 2006, vem participando em projetos de gestão patrimonial e investigação sobre a época romana, com especial enfoque na produção de conservas piscícolas salgadas. Colaborou e dirigiu escavações e prospeções arqueológicas nos sítios da Boca do Rio (Budens) e Martinhal (Sagres), no concelho de Vila do Bispo.

Desde 2013, vem sendo convidado como orador em colóquios e cursos de história local e regional. Tem uma dezena de trabalhos publicados em revistas científicas, fundamentalmente sobre a exploração de recursos marinhos na Antiguidade e a implementação de instrumentos de ordenamento do território aplicados à gestão do património cultural imóvel.

De 2015 em diante vem exercendo funções em permanência na Câmara Municipal de Lagoa como Gestor do Património Cultural. Entre outras iniciativas culturais, é responsável pela edição de obras literárias, organização de ciclos de conferências, rotas culturais e espetáculos artísticos ligados à pedagogia e mediação de públicos para conteúdos históricos, bem como de exposições programadas para equipamentos culturais municipais, de foi curador em algumas.

Resumo: Ferragudo foi criada por carta de privilégios da Rainha D. Leonor, datada de 21 de agosto de 1520. O propósito de ocupar a foz do rio Arade, na sua margem esquerda, com vista ao desenvolvimento económico e à manutenção da circunscrição territorial da cidade de Silves no século XVI, foi o mesmo que, a 9 de dezembro de 1749, levou à criação da Paróquia pelo bispo do Algarve, D. Inácio de Santa Teresa.

Contudo, o processo de independência administrativa foi tudo menos pacífico – contrariada pelo então prior de Estômbar, Lourenço de Mello da Cunha, que se viu privado de alguns rendimentos –, arrastando-se até 13 de junho de 1762, quando D. frei Lourenço de santa Maria, sentenciou o final da contenda, definindo as novas contrapartidas a conceder ao pároco de Estômbar.

Sanada uma contenda, nasceria uma outra que atravessaria todo o século XIX e perduraria até meados do século XX. Já não estava em causa a legitimação da nova freguesia, mas a definição dos limites entre Ferragudo e Estômbar, fazendo coincidir os limites eclesiásticos com os civis, no decurso da criação das Juntas da Paróquia.

Confinada ao casco urbano primitivo, Ferragudo, procurou, ao longo do século XIX, entre apelos régios e às Cortes, passando por missivas dirigidas ao Bispo, que a fronteira eclesiástica e civil constituísse uma única linha divisória entre os dois povos. Foram diversas as propostas apresentadas, sucessivamente contestadas de parte a parte, alegando prejuízos económicos e sociais que uma e outra demarcação acarretaria, nomeadamente com a substração de população e fogos.

Face ao exposto, pretende-se abordar a contenda de criação da Paróquia, que se arrastaria por treze longos anos bem como as diferentes propostas de demarcação, o debate e os intervenientes que nele influíram.

Palavras-chave: Paróquia de Ferragudo, contenda, limites geográficos, eclesiástico, civil.

Bibliografia de referência

LOPES, João Baptista da Silva, Memórias para a história eclesiástica do Bispado do Algarve. Lisboa, Tip. da Academia Real das Sciencias de Lisboa, 1848.

OLIVEIRA, Francisco Xavier Ataíde, Memórias para a história eclesiástica do Bispado do Algarve (continuação). Lisboa, Tip. Universal/ liv. Figueirinhas, 1908.

OLIVEIRA, Ataíde, Monografia de Estômbar: concelho de Lagoa, Faro, Algarve em Foco editora, 1987.

MARTINS, José António de Jesus, Estudo Histórico-monográfico da freguesia de Ferragudo do concelho de Lagoa (1989), Faro, Algarve em Foco editora, [1990].

SANTOS, Rossel Monteiro, História do Concelho de Lagoa. 2 volumes. Lisboa, edições Colibri/ Câmara Municipal de Lagoa, 2001.

A paroquialidade de Ferragudo, da guerra civil à separação (1833-1911)

Dr. Sérgio Ribeiro Pinto

(Bolseiro de Pós-Doutoramento da FCT | UCP-CEHR)

Nota biográfica: Nasceu no Porto em 1979. Doutorou-se em História, pela Universidade Nova de Lisboa, em 2013. É membro integrado do Centro de Estudos de História Religiosa da UCP e Bolseiro de Pós-Doutoramento da FCT.

Resumo: O pároco foi uma figura central da vida social e política portuguesa durante a Monarquia Liberal. Não se tratou de uma excepcionalidade nacional, como revela a caracterização da centúria de 1800 feita por Denis Pelletier, que a apelidou de “século dos párocos”. Em Portugal, como noutras latitudes, para lá das tarefas directamente religiosas – o acompanhamento dos indivíduos e das comunidades locais do berço à cova –, eles foram agentes do Estado e da sua administração. E, progressivamente, o seu protagonismo foi alvo de controvérsias e disputas várias. Conhecer esses protagonistas eclesiásticos da administração pública e as suas respetivas carreiras é decisivo para se compreender uma das etapas do processo de construção do Estado português contemporâneo. A partir da clarificação das atribuições do clero paroquial e da estratificação resultante da diferença entre clero colado e clero encomendado, apresentam-se alguns dos elementos de caracterização biográfica do clero paroquial de Ferragudo no quadro da diocese do Algarve, como parte do processo em curso destinado à elaboração da prosopografia dos funcionários paroquiais do Estado durante a Monarquia Liberal.

Palavras-chave: Administração Pública, Clero paroquial, Liberalismo político, Paróquia de Ferragudo.

Bibliografia de referência

BOUTRY, Philippe. Prêtres et paroisses au pays du Curé d’Ars, Paris, Cerf, 1986.

BOWMAN, William David. Priest and parish in Viena, 1780-1880, Boston: Humanities Press, 1999.

CATROGA, Fernando. A geografia dos afectos pátrios, Coimbra, Almedina, 2013.

GIGQUEL, Samuel. Prêtres de Bretagne au XIXe siècle, Rennes, Presses Universitaires de Rennes, 2008.

HESPANHA, António Manuel. Guiando a mão invisível. Direitos, Estado e Lei no liberalismo monárquico português, Coimbra, Almedina, 2004.

LEMAITRE, Nicole (Dir.). Histoire des curés, Paris, Fayard, 2002.

PINTO, Sérgio Ribeiro. Servidores de Deus e funcionários de César. O clero paroquial da Monarquia à República (1882-1917), Maia, Cosmorama, 2017.

PINTO, Sérgio Ribeiro. Registo da Paroquialidade Portuguesa Contemporânea (1833-1911). http://portal.cehr.ft.lisboa.ucp.pt/CleroSecular/index.php/Site/registoParoquialidade.

Ferragudo na I República e a questão do Clero que aceitou a pensão do Estado

Professor David Luna de Carvalho

(Instituto de História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa | MuCid)

Dr. Paulo Lima

(Casa da Cidadania)

Nota biográfica | David Luna de Carvalho: Professor do 2.º Ciclo do Ensino Básico, Historiador de História Moderna e Contemporânea, incidindo especialmente sobre a I República, a implementação do seu projecto laicizador e acções colectivas de resistência de repertório antigo. Autor de Os Alevantes da Memória, Resistências populares à política religiosa da 1.ª República no Concelho de Nordeste da Ilha de S. Miguel, 1911, Salamandra, Col. Garajau, 1999, de Os Levantes da República, Resistências à laicização e movimentos populares e repertório tradicional na 1.ª República Portuguesa, Afrontamento, 2011, Membro da Coordenação Científica do Dicionário de História da República e do Republicanismo, 3 vols, Assembleia da República,2013 , representando o Centro de Estudos de História Contemporânea do ISCTE, membro da coordenação científica da base de dados do Mucid, Lagoa, relativamente à 1.ª República.

Nota biográfica | Paulo Lima: Responsável pela implementação e coordenação do projeto Casa da Cidadania de Lagoa, o qual considera um projeto de vida.

Licenciado em Antropologia (ISCTE-IUL), frequência de pós-graduação em Gestão e Empreendedorismo Cultural e Criativo (INDEG-IUL), mestrando (suspenso) em História Moderna e Contemporânea (ISCTE-IUL); doutorando em Antropologia (ISCTE-IUL), com tese sobre vinho.

Foi-lhe atribuída pelo Governo de Cabo Verde, em 2019, a Medalha de Mérito Cultural de 1.º Grau.

Diretor da Casa do Cante, Serpa (2012-2017).

Responsável pela musealização do Paço dos Henriques / projeto PAGUS (2017-2018), com exposição permanente sobre Fabrico de Chocalhos.

Ideia, implementação e coordenação científica (2007-’10) do projeto IDENTIDADES, programa para a salvaguarda do património cultural imaterial do Alentejo, Direção Regional de Cultura do Alentejo.

Coordenador do Projeto de Valorização do PCI do Alentejo do Turismo Alentejo e Ribatejo, Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (2014-2015).

Membro da comissão executiva (anos 2005-‘09) da candidatura do Fado à lista representativa do património cultural imaterial da humanidade, apresentado à UNESCO em 2009, elemento inscrito em 2010; coordenador da candidatura do Cante Alentejano à lista representativa do património cultural imaterial da humanidade, apresentado à UNESCO em 2013, elemento inscrito em 2014; responsável pela candidatura do Fabrico de Chocalhos à lista do património cultural imaterial da humanidade com necessidade de salvaguarda urgente, apresentado à UNESCO em 2014, elemento inscrito em 2015; coordenador do dossier de candidatura da Festa de São João de Sobrado à lista representativa do património cultural imaterial da humanidade (2012-2015); coordenador do Programa Páscoa na Idanha (2015-2017) e coordenador da Candidatura deste programa à Lista das boas práticas de salvaguarda do património cultural imaterial da UNESCO; coordenador da Candidatura da Construção e Reparação Naval Tradicional do Tejo à Lista do património com necessidade de salvaguarda urgente, (2018-2019); coordenador da Candidatura do Movimento Filarmónico Civil Português à Lista representativa do património cultural imaterial da UNESCO pela Fundação INATEL e Câmara Municipal de Alcácer do Sal, uma parceria com o Instituto do Património Cultural de Cabo Verde.

Representante do Governo Português, através da Cooperação Portuguesa, na Candidatura da Morna à Lista representativa do património cultural português, entregue pelo Governo de Cabo Verde em 2018, elemento inscrito em 2019.

Acompanhamento científico da Candidatura da Construção Naval Tradicional de Vila do Conde a Património da Humanidade.

Coordenador da Candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a Património Mundial, protocolo de parceria entre os Governos de Cabo Verde e Portugal.

Coordenador das seguintes plataformas digitais sobre património: Paisagem Id: http://paisagem-id.pt/; Páscoa na Idanha: http://pascoanaidanha.pt/; Programa PAGUS: http://pagus.pt/

Tem diversos trabalhos publicados, CD’s, DVD’s, artigos e monografias, em Portugal e no estrangeiro; participou, passiva e ativamente, em diversos eventos científicos nacionais e estrangeiros; coordenou e co-coordenou diversos encontros científicos nacionais e internacionais. Entre as suas publicações destaca: Carta do património de Portel, Vol. I (1992); Fado operário no Alentejo (sécs. XIX-XX) (2004); Minhas senhoras e meus senhores… vida, fome e morte nos campos de Beja durante o Salazarismo (2006); Filmografia completa de Michel Giacometti (2009-2010), edição jornal Público-Tradisom; Cantes (em co-autoria com Salwa Castelo-Branco), (2019), edição jornal Público-A Bela e o Monstro.

Estudou e publicou também, com João Honrado, opositor antifascista, trabalhos sobre o tarrafalista Francisco Miguel, em particular a sua poesia (2005);

Áreas de interesse: património cultural imaterial, paisagem, salvaguarda e gestão de informação patrimonial; Serra de Portel; literatura popular, pastorícia e metalurgia.

Resumo: “Padres pensionistas” era a designação, comum na época, para aqueles do clero católico que tinham aceite ou requerido a pensão do estado, prevista na Lei da Separação do Estado das Igrejas. Com a referida lei, o Estado tinha passado a “funcionalizar” os sacerdotes, concebendo-os como profissionais ao serviço dos cidadãos crentes e, desse modo, tinha estabelecido a sua remuneração, denominada “pensão do clero”. A colocação dos crentes no centro da organização do culto, a colocação do clero numa situação de serviço pago pelo Estado, levou a que a maioria dele resistisse, desde logo pela recusa da pensão. A resistência do clero fiel à hierarquia da Igreja Católica foi, em muitos casos, seguida por parte da população, nomeadamente em Ferragudo, um dos poucos locais do país onde este pretexto de conflito foi, ao contrário do que sucedeu em geral, um dos mais importantes devido à política em matéria religiosa da I República. As acções colectivas da resistência “civil” em torno da questão da Pensão do Estado ao Clero serão o nosso objecto de análise, naturalmente tendo como contexto a resistência do próprio clero.

Palavras-chave: Primeira República, Laicização do Estado e da Sociedade, Igreja Católica, Padres pensionistas, Acções colectivas de resistência.

Bibliografia de referência

CATROGA, Fernando, A militância laica e a descristianização da morte em Portugal, 1865-191, Dissertação de Doutoramento, Coimbra, Faculdade de Letra da universidade de Coimbra, 1988.

Idem – O Republicanismo em Portugal – da formação ao 5 de Outubro de 1910, Faculdade de Letras, Coimbra, 1991.

FERREIRA, Maria de Fátima Sá e Melo, Résistances Populaires au Libéralisme au Portugal (1834-1844), Thêse de Doctorat de l' Université de Paris I en Histoire Social, 3 Vols., Université de Paris I- Panthéon-Sorbonne, 1995.

NETO, Vitor, "A Questão Religiosa Na 1ª República - A Posição Dos Padres Pensionistas", Revista de História das Ideias (Sep.), Nº 9, Fac. Letras, Coimbra, 1987.

THOMPSON, E. P. Costumes em comum, Estudos sobre cultura popular tradicional, Companhia das Letras, 1998.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição: análise histórico-artística

Dr. João Pedro Féteira

(Câmara Municipal de Lagoa)

Nota biográfica: João Pedro Féteira é Licenciado e Mestre em História da Arte pela FCSH-UNL, tendo ainda concluído uma Pós-Graduação em Tour-Guiding pelo INP.

Iniciou a sua atividade profissional desenvolvendo inventariação, catalogação, e investigação para a Linha de Estudos de Arte Contemporânea do IHA-FCSH (2010), e integrou o Serviço Educativo da Exposição de Pintura Naturalista da Fundação Millennium BCP (2013).

Exerceu funções na área da Mediação Cultural no Panteão Nacional (2014-2015) e na EGEAC, E.M. nomeadamente: nas Galerias Municipais de Lisboa (2015-2017); no Castelo de São Jorge como Técnico Superior de Museologia e Património (2017-2020).

Atualmente é Técnico Superior na Divisão de Ação Sociocultural do Município de Lagoa.

Resumo: A igreja matriz de Ferragudo é um edifício com uma localização privilegiada no conjunto urbanístico da vila. Também a sua importância cultural e patrimonial, que foi sendo reforçada ao longo da História, é algo que se refletiu em diferentes campanhas de obras e num espólio de objetos de valor artístico heterogéneo.

Pese embora a existência de contributos historiográficos complementares, procuramos fazer um balanço da importância deste edifício religioso, dedicado a Nossa Senhora da Conceição, numa perspetiva da História da Arte, enquadrando determinados elementos arquitetónicos e artísticos ainda hoje visíveis num contexto historiográfico, e favorecendo uma receção artística mais informada e crítica.

Palavras-chave: Arquitetura Religiosa, Património Artístico, História, Ferragudo.

Bibliografia de referência

AA.VV., Levantamento Arqueológico do Algarve. – Concelho de Lagoa, Lagoa, Câmara Municipal, 1995.

CORREIA, José Eduardo Horta, O Algarve em Património, Olhão, Gente Singular Editora, 2010.

FRANÇA, José Augusto, A Arte em Portugal no Século XIX, Lisboa, Bertrand Editora, 1990.

LAMEIRA, Francisco, A Talha no Algarve Durante o Antigo Regime - Dissertação de Doutoramento em História da Arte Moderna, Faro, UALG, 1999.

REIS, João Vasco, Com os olhos no “Céu”. Os Templos da Fé do Concelho de Lagoa, Lagoa, Câmara Municipal, 2017.

Fortificações e atalaias: as defesas de Ferragudo

Dr. João Vasco Reis

(Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves)

Nota biográfica: Natural de S. Bartolomeu de Messines, concelho de Silves (19.09.1963), reside em Lagoa (Carvoeiro) há 25 anos.

Licenciado em História, é investigador do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves e da Associação de Estudos e Defesa de Património Histórico-Cultural de Silves. Tem-se dedicado ao estudo e divulgação da História do Algarve, principalmente no que respeita ao Barlavento algarvio (Lagoa-Silves).

Com mais de 20 títulos publicados, têm procurado trazer “novas luzes” sobre a História e a “Memória” do Concelho de Lagoa, tais como: Estômbar e o seu castelo, no Tempo e na História (CM Lagoa, 2009); Carvoeiro: Ainda e sempre o Mar. Monografia (CM Lagoa – JFreg. Carvoeiro, 2013); Lagoa. Imagens e Memórias (CM Lagoa, 2015); História da Igreja de Lagoa (Paróquia Lagoa, 2015); Com os olhos no Céu (CM Lagoa, 2017); Entre Muralhas e Vigias (CM Lagoa, 2017), entre outras publicações em jornais e revistas.

Resumo: Tendo em conta as fontes históricas disponíveis, após a criação do lugar de Ferragudo, por carta de mercê da rainha D. Leonor, de 1520, a requerimento da Câmara de Silves, o primitivo “lugar” terá começado a ser provido de uma cerca ou muralha, imprescindível para a defesa das habitações dos pescadores e demais moradores que ali se instalaram, devido à sua localização na foz do rio Arade, sujeito a ataques de piratas e corsários.

Mas há mais “histórias” para contar, nomeadamente o papel do bispo de Silves, D. Fernando Coutinho no desenvolvimento inicial de Ferragudo. Nesta comunicação, analisamos as “defesas” de Ferragudo ao longo dos tempos, da primeira cerca ou muralha até às torres de “atalaia”, a sua importância para a segurança do “seu” território de influência, em especial no que refere à fortaleza de São João Baptista.

Palavras-chave: Ferragudo, Defesa, Fortaleza, Torres, Vigias.

Bibliografia de referência

LOPES, João Baptista da Silva- Corografia ou Memoria Economica, Estadistica, e Topografica do Reino do Algarve. Lisboa: Academia Real das Sciencias, 1841, reedição: Faro, Algarve em Foco Editora, 2 volumes, 1988.

GUEDES, Lívio da Costa - Aspectos do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII. A «Descripção» de Alexandre Massaii (1621), Lisboa, Arquivo Histórico Militar, 1988.

CALLIXTO, Carlos Pereira - Castelos e Fortificações Marítimas do Concelho de Lagoa, Faro, Algarve em Foco Editora, Faro, 1991.

GOMES, Mário Varela / Cardoso, João Luís / Alves, Francisco, J. S. - Levantamento Arqueológico do Algarve. Concelho de Lagoa, Lagoa, Câmara Municipal, 1995.

REIS, João Vasco - Com os olhos no “Céu”. Os Templos da Fé do Concelho de Lagoa (História, Memorial e Roteiro), Lagoa, Câmara Municipal, 2017.

Idem – Entre o Entre Muralhas e Vigias. Castelos, fortalezas e outros sistemas defensivos do concelho de Lagoa, Lagoa, Câmara Municipal, 2017.

Ministério da Cultura – Portal do Arqueólogo: https://arqueologia.patrimoniocultural.pt

Livro Ferragudo: uma economia local no Algarve setecentista

Ferragudo Capa min 1