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Convento S. José

  • História do Convento

     

    Convento S. José

    O Convento
    As marcas históricas de Lagoa estão também no Convento de S. José, trata-se de um convento carmelita, com claustro,     capela e torre-mirante, datado de 1738, como consta na inscrição de uma porta. 
    Recuperado há alguns anos, é a sala de cultura e cartão de visita da Cidade. Espaço cultural por excelência, nele pode-se   assistir a muito eventos, tais como exposições, recitais, palestras, conferências, etc...
     
     
    História
     
    Convento S. José, fundado em 1713. 
    Circulando, hoje, de Silves para Lagoa, no alto da colina, por onde se desenvolve a urbe histórica descendente até às Alagoas, encontramos um edifício setecentista, o Convento de S. José, em Lagoa, que alberga desde 27 de Maio de 1993 o novo Centro Cultural da Cidade, depois de anos de obras de recuperação e refuncionalização. Nesse dia de 1993, o Secretário de Estado de Cultura presidiu à inauguração. 
    O Convento teve, tal como a Capela, uma história atribulada. A leitura das Memórias Paroquiais de 1758, volume 19º.,das folhas 85 a 91, compreendendo as respostas do Prior de Lagoa. 
    O Convento era um recolhimento de mulheres, orientado por uma ordem de freiras mendicantes, as Carmelitas, recolhia crianças do sexo feminino abandonadas, fomentando a sua educação. 
    Este facto pode ser atestado pela roda dos expostos, ligada ao recolhimento de crianças abandonadas, existente no piso térreo, actualmente na parte do edifício afecta à Junta de Freguesia de Lagoa. 
    Suscitam-se dúvidas quanto à data da fundação, havendo fontes que apontam 1710 e outras 1713. 
    Certo é que em 1730 já existia, portanto anterior a 1738, data esta escrita na verga da porta principal da Capela sob a Torre Mirante. "Isto confirma-se pelo Livro de Crismas que foram administradas na Capela de S. José, entre 1730 e 1740, pelo Bispo do Algarve desse tempo", refere o Boletim Paroquial de Lagoa de Setembro de 1984. 
    Em 1834, o governo advindo do liberalismo, de espírito jacobino importado de França, decretou a extinção das ordens religiosas e dos conventos. 
    Apesar disto, continuou a funcionar como Recolhimento, certamente sob o enquadramento institucional de uma Associação de Meninas Pobres. 
    Decorridos alguns anos, com a normalização das relações entre a Igreja e o Estado, o Convento voltou a funcionar. Desta vez como Colégio orientado por Dominicanas, depois de recuperação conveniente. 
    As religiosas da Terceira Ordem de S. Domingos davam-se a trabalhos de catequese, enfermagem, educação e ensino. Em 1876 as freiras dominicanas tomaram posse do edifício e instalaram um Colégio de meninas. 
    Citamos algumas palavras de D. João Evangelista de Lima Vidal em livro sob título Dona Teresa de Saldanha e as suas Dominicanas (Cucujães, 1938): " O Senhor Patriarca era então Bispo da Diocese de Faro (D. António Mendes Belo). 
    Havia lá no Algarve, em Lagoa, uma casa antiga de carmelitas, onde então só se encontravam três ou quatro Recolhidas (…). 
    Fortunato de Almeida, na sua História da Igreja em Portugal, regista em funcionamento, no último quartel do século XIX e na primeira década do século XX, o Colégio de S. José, em Lagoa, destinado à "educação de meninas internas". 
    Foi pois por intermédio de D. Teresa de Saldanha, Madre Geral das Terceiras Dominicanas, a pedido do Bispo do Algarve, que foi instaurado o Colégio no Convento de S. José, que progrediu, educou, foi para a ocasião "recolha de crianças e fulcro de progresso cultural de todo o Algarve", como escreveu o Padre António Martins de Oliveira no Boletim Paroquial de Lagoa, em Março de 1984. 
    Reside aqui, neste facto a razão da existência do painel de azulejo colocado em 1993 na parede lateral esquerda do pátio de entrada da Capela e do Convento de S. José, com a imagem da fundadora, precisamente de frente a um vitral colocado no lado oposto, na mesma altura. 
    Pretendeu-se perpetuar uma homenagem a D. Teresa de Saldanha, estabelecendo uma ligação entre a religião e a cultura, como de resto, o vitral pretende simbolizar. 
    O painel de azulejos foi realizado em 1993 por um artesão das Caldas da Rainha, Amílcar Marques, sob sugestão de José Sobral. 
    A lei daquela época não consentia conventos, D. Teresa de Saldanha fundou uma instituição de ordens terceiras, não abolidas em Portugal, que dependiam da jurisdição eclesiástica diocesana, podendo ter os colégios que entendessem. Seguiu na linha da educação de crianças do sexo feminino. Assim as Dominicanas trabalharam em Lagoa – único convento a funcionar no Algarve à data de 1910 – até à lei da separação da Igreja e os Estado de Abril de 1911. 
    Em meados do século XIX, já não era convento e ainda não era colégio, foi a Capela de S. José restaurada por Luís António Maravilhas. 
    Escreveu Pinheiro Rosa "Quando estudei a Igreja, em 1945, viam-se-lhe as características do restauro do Maravilhas: cobertura toda em abóbada; além do altar-mor, mais seis todos cavados em arco separados por pilastras de ordem jónica. Arco clássico embora a matéria fosse simples estuque". 
    Hoje mantém-se a Capela assim, embora o tecto da abóbada já não seja em estuque, com armação em madeira, como fez o mestre Maravilhas. 
    Observa-se, actualmente, uma simples abóbada de berço rebocada, de branco, sem adornos. 
    No altar-mor, junto à imagem de S. José, pode observar-se nas paredes alguns vestígios das antigas pinturas decorativas; foram deixadas como memória, a pouca existência inviabilizou o restauro. 
    O edifício do Convento passou, ao longo da sua história, por várias funções e vicissitudes, geralmente ligadas ao contexto político e histórico que o país atravessava. 
    No boletim Paroquial de Lagoa de Junho de 1985 respigamos."todos os Conventos tinham um Capelão, que prestava assistência religiosa à sua população interna, em que participavam outras pessoas, já que a Capela era pública. Tinha o Capelão a sua residência própria e não longe do Convento. 
    Por isso, até 1911 (11 de Abril) o Capelão vivia no edifício onde hoje se encontra instalado o Posto da GNR (…). Poderemos dizer que o último Capelão foi o Ver. Padre João da Palma Viegas". 
    Em 1911, após a saída das freiras, a Capela foi saqueada e vendido ou roubado o recheio, tanto imagens como talhas dos altares, apenas se tendo salvo algumas imagens recolhidas por devotos locais e um outro elemento da talha original. 
    Em 27 de Março de 1924, a Câmara Municipal de Lagoa adquiriu o "Ex-Colégio de S. José no Concelho de Lagoa" à Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas "pelo preço de quarenta mil escudos"; constituíam propriedade do extinto Colégio "uma casa térrea, na rua da S. José, da vila de lagoa, conhecida pela "Casa do capelão", com diferentes compartimentos, quintal, alpendre, dispensas e cisterna, "a cerca do Convento", um prédio que serviu de Convento, na rua de S. José. 
    Foi, então, colocada na Capela de S. José a Conservatória do Registo Civil até cerca de 1940. 
    Carlos Soares, especialista em arte sacra, que empreendeu o restauro e adaptação das talhas, hoje colocadas na Capela de S. José. A concepção inicial foi sua, depois foi trabalhada e recomposta pelo vitralista João Carlos Rodrigues, de Almansil, que o ofertou. De acordo com a concepção do seu executor, o vitral pretende simbolizar uma relação estreita entre a religião e a cultura, recordando as suas utilizações: uma pomba, lágrimas do espírito santo, o hábito da freira e, na parte inferior, livros em estante. 
    A talha original da Capela seria de grande beleza e valor artístico, a julgar por documentos antigos e alguns vestígios existentes, contudo como se disse, com a revolução republicana, foi destruída e retirada do local. 
    A Capela deixava de funcionar como Conservatória do registo Civil. 
    Nessa altura o Padre Joaquim A. Vieira colocava novamente ao culto a Capela de S. José: esse facto é noticiado por Pinheiro Rosa, quando a inventariou em 1945. 
    A Capela de S. José, durante as obras da Igreja Matriz, de 1961 a 1963, chegou mesmo a funcionar como Paroquial. Contudo, a assistência religiosa foi-se reduzindo e em 1974 deixou de estar ao culto. 
    O que em Junho de 1988, Carlos Soares, o laborioso especialista em arte sacra, que restaurou toda a talha barroca, veio encontrar do retábulo da Capela-Mor foram umas peças soltas extremamente danificadas, guardadas na pequena capela de oração no interior do claustro. 
    A Imagem de S. José com o Menino patrono do Convento, com altura superior a um metro, foi também objecto de restauro de escultura, pintura e douragem. Foi um trabalho moroso, laborioso, atento, iniciado em finais de 1989 e finalizado em 1993, exigindo simultaneamente muita pesquisa. O púlpito da Capela proveito de um antigo bastante destruído, mas de grande valor artístico, em depósito na Igreja Matriz cedido pelo pároco, viria a ter um profundo restauro e a natural adaptação. 
    Efectivamente, ao longo deste século XX, o edifício do Convento teve uma sucessão de funções que ajudaram a degradar o belo edifício. 
    Repartições públicas, escola primária até à década de 70, altura em na cerca foram construídas a nova escola e a cantina, a delegação escolar, junta de freguesia, serviços camarários técnicos, operativos e arrecadações. 
    O projecto de recuperação e adaptação do Convento S. José, em Lagoa, para fins culturais, mantendo a traça primitiva, com o intuito de preservar o património histórico-cultural, tentou harmonizar o binómio conservação/funcionalidade num imóvel que pela sua qualidade arquitectónica e valor patrimonial, se pretendia simples e verdadeiro na tradição. 
    São pontos de interesse do edifício: a Capela de S. José e o Claustro, que por vezes servem de palco para a realização de concertos, e a Torre Mirante com o Arco. 
    Torre Mirante, é um dos mais marcantes elementos do património construído do concelho de Lagoa. 
    A típica e conventual Torre Mirante quadrangular de aspecto austero com características janelas com rótulas, pegando com o campanário dos sinos, de dois olhais, abrindo-se em baixo o Arco que, suportando interiormente o coro da capela de acesso restrito, dá passagem à rua, onde se abre a porta principal da capela. 
    O Claustro simples mas curioso é marcado pela centralidade da cisterna, com boca octogonal, antigamente fundamental para o aproveitamento das águas pluviais e natural abastecimento das necessidades de consumo. 
    No piso superior, também os corredores são marcados pelos belos tectos em abóbada de cruzaria com arcos torais, suportados por curiosas mísulas com uma rosácea de quatro elementos. 
    O Convento de S. José é assim, hoje um centro cultural possuindo um pequeno auditório climatizado, sonorizado e confortável com noventa lugares, uma sala de exposições temporárias, a que foi atribuído, como homenagem autárquica em 1993 o nome do Pintor Manuel Gamboa, e diversas pequenas salas de exposição permanentes de núcleo museológicos em fase de concepção, alusivos aos valores do concelho. 
    Como tentando recordar tempos longínquos e povos passados, após a recuperação, operada em 1993, foi colocado no jardim do pátio fronteiro um menir, proveniente das Areias das Almas (Porches) ai encontrado, entre muitos outros, pelo Arqtº. Varela Gomes, enquanto das campanhas arqueológicas ali realizadas em 1975-76, atestando vivências do Neolítico na área geográfica do agora município da Lagoa (V a IV milénios a.C.). 
    Os menires, naturalisticamente fálicos, lisos ou decorados com motivos simbólicos, evocam as forças vitais e o mito da renovação. Eram monumentos que ordenavam os espaços em termos físicos e psíquicos, directamente ligados ao sagrado e à observação dos fenómenos astrais, integrando o universo megalítico e erigidos pelas populações agro-pastoris daquele tempo.
     
     
    Faixada        Sala Exposições Temporárias        Exposição Permanente        Clautro


  • Horário

    Horário:

    Terça a Sábado das 9.00h às 12.30h e das 14.00h às17.30h
    Encerrado ao Domingo e Segunda-feira

  • Valências do Convento S. José

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