História

Perde-se no tempo a origem dos Florados de Lagoa, doces típicos do concelho de Lagoa. A sua composição, à base de açúcar, amêndoa e fios de ovos é um legado da cozinha tradicional algarvia, alicerçada nos milenares hábitos mediterrânicos e na fusão de sabores da alimentação árabe com a doçaria conventual.

Em Lagoa, a presença de religiosas recolhidas no Convento de S. José desde o século XVIII pode estar na génese de um conjunto de doces típicos registados no concelho, entre estes aqueles que ficaram conhecidos por “Florados de Lagoa”.

A mais antiga referência conhecida consta da receita que integra a 1ª edição d’O Livro de Pantagruel, sob a designação “Floradas”. O livro, da autoria de Bertha Rosa Limpo, publicado pela primeira vez em 1946, é considerada uma das maiores obras da culinária escrita na língua portuguesa, indo já na 75.ª edição.

A relação do doce com a presença de freiras Carmelitas em Lagoa, recolhidas no Convento de São José, não está devidamente atestada, o que, a acontecer, pode remeter a sua origem para o seio do convento, fazendo-a recuar ao século anterior ou mesmo ao século XVIII, quando a irmandade religiosa ali se fixa.

Nos finais do século XIX, a Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, cuja fundadora foi Teresa de Saldanha, instala-se no Convento de S. José. A convivência das Irmãs dominicanas com as poucas carmelitas que ainda subsistiam, pode muito bem ter resultado na partilha de saberes culinários e na sua subsistência para lá da viragem do século e fora do contexto conventual.

Como terra de figo e amêndoa, rei e rainha da doçaria tradicional algarvia, Lagoa exportava as suas produções, sobretudo para o estrangeiro, já sem casca. A amêndoa, presente em muitos dos doces típicos da região, era ainda aproveitada como combustível, precisamente pela queima da casca.

No convento de São José, a utilização deste material combustivo encontra-se documentada na correspondência trocadas entre as madres superioras do colégio de Lagoa e a Madre Teresa de Saldanha, substituindo o carvão, nem sempre fácil de obter. Outro dado presente nas cartas trocadas é o das oferendas feitas à Superiora Geral em ocasiões especiais, onde figuram “obras de figo e amêndoa”.

Nas últimas décadas, a confeção dos Florados caiu em desuso, tornando-se quase um exclusivo de momentos festivos, casamentos, batizados e mostras da especialidade. A recuperação deste património gastronómico de Lagoa e do Algarve, através do registo e da transmissão da arte de bem fazer doçaria, concorre para o conhecimento e preservação da cultura imaterial lagoense, que o Município deseja reavivar e promover, uma verdadeira marca identitária da pastelaria tradicional algarvia.

 

Receita

Já provou os Florados de Lagoa?

Inspirados nas exuberantes amendoeiras em flor, os Florados de Lagoa foram saindo do Convento de São José pelas mãos de freiras Carmelitas e irmãs Dominicanas.

Hoje, este doce secular chega-nos através de sábias doceiras regionais e prometem uma viagem no tempo.

Saboreie o património de Lagoa!

 

Ingredientes:

  • Açúcar
  • Amêndoa
  • Ovos
  • Canela
  • e Dedicação!

 

Onde comprar

Brevemente locais onde comprar!

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Galeria

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